LEMBRAI-VOS DE 35: UMA HOMENAGEM DO LEVANTE AOS INSURRETOS COMUNISTAS

O mês era novembro, assim como este que agora se encerra; porém, o ano era 1935. O Governo Brasileiro, nascido de uma pretensa “revolução”, mantinha apoio dos latifundiários e da burguesia entreguista desse país, e começava a abrir as rédeas para as nefastas influências do nazifascismo que, com astúcia e desonestidade, já alcançara o poder no Velho Mundo. A Aliança Nacional Libertadora (ALN), maior movimento popular surgido até então, fora posta na ilegalidade pelo presidente-coronel Getúlio Vargas. Mas o presente desejo de mudanças, as reivindicações, a indignação ante a agressão imperialista, a dívida externa que extorquia do povo suas riquezas, foram fatores que levaram um grande grupo de homens de honra – tenentes, sindicalistas, estudantes, artistas, dentre tantos outros – a empreender uma campanha revolucionária, primeira na História do Brasil em que se pretendia instalar, no poder, um governo popular de caráter nacional-democrático!

Esse movimento, pejorativamente taxado nas páginas manchadas de sangue da direita de “Intentona Comunista”, na verdade consistiu numa grande campanha de libertação dos brasileiros – e somente em nossa cidade, Natal, ela de fato tomou o poder, lá se mantendo por alguns dias. Esses dias representam os momentos em que mais um governo pôs-se estritamente do lado do povo, expropriando dos oligarcas suas propriedades roubadas e devolvendo-as à coletividade. Durou de 23 a 27 de novembro daquele ano, sob a liderança do operário sapateiro José Praxedes de Andrade, e de um conselho, do qual, além dele, participavam José Macedo, Quintino Clemente, Lauro Lago e João Batista Galvão – respectivamente um carteiro, um sargento, um funcionário público e um estudante.

Entre suas medidas tomadas de início, o transporte público foi coletivizado, os agricultores tiveram direito a crédito, o Palácio do Governo virou um espaço de propriedade social, os gêneros alimentícios tiveram seus preços barateados, atos suficientes para fazer brotar o adormecido entusiasmo das massas, agora exposto em seus semblantes! A ânsia de experimentar o doce sabor da liberdade, então ilegitimamente saqueada desse povo valente, foi o que proporcionou aos jovens casais de namorados poderem sair a andarem de bonde o dia inteiro, agora a preços irrisórios; foi o que estimulou operários a voltarem para o campo, pois passariam a ter a oportunidade de viver perto de suas famílias; foi o que uniu vários combatentes na formação de um exército revolucionário que pretendia estender as conquistas da Revolução também para os ares do interior do Estado e também para além de suas divisas!

A insurreição, idealizada pelo Partido Comunista, durou poucos dias em Natal, sendo esmagada por tropas federais advindas da Paraíba, e pelo exército de capangas de Dinarte Mariz. Mas foram dias de muitas esperanças. Em paralelo, movimentos libertadores eclodiriam em Recife e no Rio de Janeiro, sendo, também, infelizmente, derrotados. A História, entretanto, corrige suas próprias páginas. Enquanto isso, os donos do poder, os detentores da chamada história oficial, permanecem taxando de “intentona” o bravo ato de 1935, uma vez que essa palavra consiste em “intento movido pela loucura”. Que seja, pois então; o próprio Karl Marx também falava do “assalto ao céu pelos bravos loucos”, quando se referiu aos pioneiros da Comuna de Paris, primeiro empreendimento socialista. Estão todos certos. Os mesmos bravos loucos que tomaram o poder na conturbada França do século XIX foram os que o tomaram nesta nossa cidade praiana nos anos 1930 – e são os mesmos que até hoje orgulham-se dessa história e mantêm acesa a chama revolucionária!

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